NR-12 · Anexo I · S = (K × T) + C
Distância de segurança para cortina de luz
A distância mínima entre o plano de detecção e a zona de perigo, calculada com o quadro de distância adicional do Anexo I da NR-12 — que não é o mesmo da ISO 13855.
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Esta calculadora trata do caso de aproximação perpendicular ao plano de detecção — a cortina vertical, montada de frente para quem se aproxima. Detectores horizontais, aproximação a ângulo, prensas e dobradeiras têm requisitos próprios nos anexos específicos da NR-12.
Como o cálculo é feito
O Anexo I da NR-12 traz a fórmula fechada dentro da própria norma:
S é a mínima distância, em milímetros, da zona de perigo até o ponto, linha ou plano de detecção. K é a velocidade de aproximação, em mm/s. T é a performance de parada de todo o sistema, em segundos. C é a distância adicional, baseada na intrusão contra a zona de perigo antes da atuação do dispositivo.
O tempo é uma soma, e a maior parcela é medida
As duas primeiras parcelas vêm de catálogo e são estáveis. A terceira não está em lugar nenhum: ela depende do freio, do ferramental montado e do programa em execução, e cresce com o desgaste. É a parcela que domina o resultado e a única que exige instrumento.
O C vem de um quadro, não de uma fórmula
Aqui está a diferença que mais custa caro. A ISO 13855 usa uma expressão contínua, C = 8(d − 14) para d até 40 mm. A NR-12 discretizou isso em faixas, e o valor brasileiro é sempre igual ou maior:
Como o quadro é degrau, o C salta na borda da faixa. Um detector de 20 mm e um de 21 mm são equipamentos praticamente iguais e pedem 80 e 130 mm de distância adicional. A calculadora avisa quando a sua capacidade de detecção está logo acima de uma borda, porque nesse caso um milímetro a menos de resolução encurta a instalação inteira.
O K depende do resultado que ainda não existe
O Anexo I dá 2000 mm/s para detecção vertical até 500 mm e 1600 mm/s acima de 500 mm — mas a distância é justamente a incógnita. O caminho é iterar:
Uma planilha que fixa K = 2000 sem verificar erra para mais nas máquinas lentas, o que é caro mas seguro. Uma que fixa K = 1600 erra para menos nas rápidas, o que é barato e não é.
Referência normativa
Distância adicional C — Anexo I da NR-12
| Capacidade de detecção d | C pela NR-12 | C por 8(d − 14) | Diferença |
|---|---|---|---|
| ≤ 14 mm | 0 mm | 0 mm | — |
| > 14 a 20 mm | 80 mm | 48 mm em d = 20 | +32 mm |
| > 20 a 30 mm | 130 mm | 128 mm em d = 30 | +2 mm |
| > 30 a 40 mm | 240 mm | 208 mm em d = 40 | +32 mm |
| > 40 mm | 850 mm | 850 mm | — |
A coluna da ISO está avaliada no topo de cada faixa, que é o caso mais favorável a ela. Em qualquer ponto interno da faixa a diferença é maior.
Velocidade de aproximação K
| Situação | K |
|---|---|
| Detecção vertical, distância até 500 mm | 2000 mm/s |
| Detecção vertical, distância acima de 500 mm | 1600 mm/s |
| Detecção horizontal | 1600 mm/s |
De onde vem cada parcela do tempo
| Parcela | Fonte | Muda com o tempo? |
|---|---|---|
| Resposta do detector | Folha de dados da cortina | Não |
| Sistema de comando | Catálogo do relé ou CLP de segurança, mais os contatores | Pouco |
| Parada da máquina | Medição na máquina, com instrumento | Sim — cresce com o desgaste |
A leitura do fabricante para o tempo de parada é o valor de máquina nova, sem ferramental e sem carga. Serve para orçamento, não para dimensionar a distância de uma máquina em operação.
Três casos que a distância não resolve sozinha
A fórmula do Anexo I responde a uma pergunta só: quem atravessa o plano de detecção consegue alcançar a zona de perigo antes de a máquina parar? Vale ver o que ela responde — e o que ela não responde.
A corrida entre a mão e o freio
No instante em que o feixe é interrompido, duas coisas começam ao mesmo tempo: a mão percorre a distância S e a máquina gasta T para parar. Os valores são os que você digitou acima.
Movimento desacelerado 15 vezes. A cortina permanece onde foi instalada; o que muda com o cursor é só o tempo de parada da máquina, que cresce com o desgaste.
Os três caminhos que não cruzam o feixe
S é a distância no trajeto que a cortina vigia. Qualquer percurso que chegue à zona de perigo sem interromper o feixe torna o cálculo irrelevante, por mais correto que ele esteja.
Nos três, o feixe permanece livre e a máquina nunca recebe ordem de parar. O que resolve esses casos é proteção fixa, distância de alcance por aberturas ou detecção de área — não recalcular S.
Quem já está do lado de dentro quando a máquina parte
A cortina detecta a travessia, não a permanência. Depois que a pessoa passa, o feixe volta a ficar livre — e o sistema não tem como saber que ela continua lá.
Nenhum valor de S impede isso. O que impede é detecção de presença na área, intertravamento com bloqueio, ou procedimento de rearme que só libera de dentro da zona.
Perguntas frequentes
- A fórmula S = (K × T) + C é a mesma, mas o termo C não. A ISO 13855 usa a expressão contínua C = 8(d − 14) para capacidade de detecção até 40 mm; o Anexo I da NR-12 usa um quadro por faixas, com 0, 80, 130, 240 e 850 mm. O quadro brasileiro é sempre igual ou maior, então uma calculadora estrangeira devolve distância menor que a exigida aqui. Esta calculadora aplica o quadro da NR-12 e mostra a diferença.
- Tudo que acontece entre o corpo interromper o feixe e o perigo cessar: o tempo de resposta do próprio detector, o tempo do sistema de comando de segurança que recebe o sinal (relé, CLP de segurança, contatores) e o tempo que a máquina leva para parar de fato. As duas primeiras parcelas estão em catálogo. A terceira precisa ser medida na máquina.
- Porque o Anexo I dá o K por faixa de distância: 2000 mm/s para detecção vertical até 500 mm e 1600 mm/s acima disso. Como a distância é justamente o que se quer calcular, é preciso iterar — calcular com 2000, e se o resultado passar de 500 mm, refazer com 1600. A ISO 13855 acrescenta um piso de 500 mm para o caso em que o recálculo devolveria menos que isso.
- O tempo de parada da máquina cresce com o desgaste do freio, e ele entra multiplicando pelo K. Uma instalação conforme na entrega deixa de ser conforme sem que nada no equipamento indique a mudança: a cortina continua funcionando e parando a máquina, só que tarde demais. Por isso a medição periódica do tempo de parada precisa estar no plano de manutenção, e não apenas a troca de componentes.
- Não. A fórmula protege quem atravessa o plano de detecção. Ela não diz nada sobre quem consegue alcançar a zona de perigo por cima, por baixo ou pelo lado sem cruzar o feixe, nem sobre quem já está do lado de dentro quando a máquina parte. Esses casos exigem proteção fixa, detecção de presença na área ou intertravamento, e são objeto da apreciação de risco.
A NR-12 usa a mesma fórmula da ISO 13855?
O que entra no tempo T?
Por que o K muda no meio do cálculo?
A distância precisa ser recalculada depois de instalada?
Calcular a distância certa garante a proteção?

Quem respondeu por esta conta
Otávio Duarte Aires Heckler — Engenheiro Mecânico e Engenheiro de Segurança do Trabalho, CREA-RSem dupla titulação. Mestre em Engenharia Oceânica pela FURG e profissional habilitado responsável pela inspeção de vasos de pressão (NR-13) em unidades agroindustriais.
Esta calculadora é ferramenta de apoio. A verificação dos dados de entrada, a adequação do método ao caso e a responsabilidade técnica pelo documento emitido permanecem do profissional habilitado que assina.
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